sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Atordoadas de Ministros

O discurso agora é que os professores dão maus exemplos aos alunos. Ouvi esta buzina pela boca de três Ministros. Resolveram, agora sem subterfúgios, encetar uma cruzada de propaganda contra esses funcionários públicos que ainda por cima são professores (ou querem ser).

No mesmo dia em que, mais uma vez, o Governo deu prova da sua incompetência. Ver um diploma chumbado uma vez até pode acontecer. Duas, já dá que pensar! Três, tem que ser mesmo incompetência (excluo a outra hipótese, que é premeditação).

Tal como o Ministro Maduro eu também imagino.
Imagino o que qualquer Português que estava a ouvir as palavras destes Ministros poderá ter pensado:

Que validade têm os exemplos fundamentados na incompetência?

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Ódio aos professores e à Escola Pública



"Queremos ter nas salas de aula os melhores professores", disse o Ministro.
Falta saber de que salas de aula estará ele a falar. Talvez salas das escolas privadas.
Eu diria antes: "Queremos ter nas salas de aula professores".
E acrescentava: "Queremos ter no Governo os melhores governantes".
E, já agora, não há por aí uma "provazita" (feita não sei por quem) para estes senhores resolverem antes de entrarem na carreira da política?

A prova foi chumbada!

E este Ministro também!

sábado, 7 de dezembro de 2013

O que é que Sá Carneiro tem a ver com esta gente?

"Muito: atacou-os toda a vida".

Pacheco Pereira in PÚBLICO

Vale a pena ler este artigo. Também eu sinto que este não é o "meu" PSD!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Comentário ao Teste Intermédio de Matemática A, 12º Ano de 29/11/2013

Na generalidade, o teste enquadra-se no que era espectável. Apresenta um nível médio de dificuldade, predominando os itens dentro deste parâmetro de dificuldade. Abrange a quase globalidade dos conteúdos previstos para o tema "Probabilidades e Combinatória" do 12º ano - esqueceram-se dos arranjos completos!
Tal como prometido na informação relativa a este teste intermédio, fizeram aparecer a Geometria em duas questões (4.1. e 4.2.). Embora os conhecimentos exigidos neste tema não fossem por aí além (Geometria de 10º ano), acho que só o simples facto de a geometria no espaço ter aparecido condicionou alguns alunos. Há que referir também que a tipologia de alguns dos itens manteve as características de itens saídos em testes de anos lectivos anteriores. A título de exemplo, o item 2.2. é muito parecido (também em dificuldade) com o item 1.1. do teste de 28/02/2013. Parece-me, finalmente que continua a existir uma deficiente conjugação entre a extensão do teste e o seu nível de dificuldade. Algumas questões exigiam tempo para pensar. Julgo que os 90 minutos foram insuficientes para que tal pudesse ter acontecido da melhor forma.

Uma nota (importante) relativa aos critérios gerais de classificação.
Mais uma vez eles não são iguais aos do ano anterior. Tem sido recorrente esta alteração de ano para ano. Suponho que o objectivo é o de melhorar, de os tornar mais abrangentes, claros e objectivos de modo a que sejam mais eficazes. Nem sempre as alterações foram as mais felizes, na minha opinião. Quero referir três dessas alterações em relação ao ano lectivo anterior:
A primeira:
Corrigiu-se uma asneira, introduzida  nos critérios o ano passado com aquele parágrafo ("caso o aluno apresente elementos em excesso face ao solicitado e tais elementos piorem a consistência da resposta e/ou afetem a caracterização do desempenho, a resposta deve ser classificada com zero pontos"), com a inclusão do critério 21.
A segunda:
Acabou-se, e bem, com a "avaliação do desempenho no domínio da comunicação escrita em língua portuguesa". Esta avaliação, na maior parte dos casos, era subjectiva e acabava apenas por servir para ajustar a classificação final de cada prova.
A terceira e que merece mais atenção:
Até agora era "aceite e classificado qualquer processo de resolução cientificamente correto". Agora é "aceite qualquer processo de resolução, desde que enquadrado pelo programa da disciplina". Isto quer dizer, tal como os critérios fazem questão de referir, que "não são aceites processos de resolução que envolvam a aplicação da regra de Cauchy, da regra de L’Hôpital ou de resultados da teoria de matrizes".
Não consigo deixar de pensar na ironia deste critério. Penso em alguns dos testes intermédios que, sob alçada deste Ministério, apareceram nos últimos anos e na forma como aí foram várias vezes ignoradas as orientações do programa ou até o próprio programa. E agora, os mesmos responsáveis, decidem que tudo tem que estar enquadrado pelo programa. Que pensar disto?
Talvez julguem que o programa novo, o deles, já está em vigor. Os ficheiros do IAVE, mas que ainda estão na página do GAVE, até dizem "nov2104" - "TI_MatA12_nov2014_V1.pdf". Mas, pensando melhor, não poderá ser, pois a regra de Cauchy, a de L'Hôpital e outras coisas mais estarão nesse novo programa.
Não, o problema é que estas duas regras resolvem de uma forma simples a dificuldade de alguns dos limites que aparecem nos testes. Será "batota" ensinar aos alunos estas regras? Terá sido justo que alguns deles as conhecessem e outros não?
Não tenho respostas para estas perguntas, mas de duas coisas tenho a certeza.
Esta equipe do Ministério é a última da lista no que respeita a julgar o enquadramento no programa.
Sempre me desagradou quando a norma é construída para responder a uma situação individual. Basta lembrar o exemplo da lei de limitação de mandatos. Para resolver um problema específico, esquece-se o âmbito geral da questão. Se o aluno usar  a Lei dos Senos, uma co-tangente ou uma exponencial de base entre zero e um, por exemplo, estará desenquadrado do programa? Quem vai julgar o enquadramento no programa da disciplina? Será licito numa disciplina como a Matemática impor limites ao conhecimento?

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ranking de escolas 2013

Tal como aconteceu no ano passado, alguns órgãos de comunicação social anunciam hoje a publicação para amanhã do ranking de escolas 2013. Mais uma vez, foram-lhes disponibilizadas as bases de dados ENES e ENEB antecipadamente.
Continuo a não perceber qual a razão que justifica que uma entidade pública privilegie uns em relação a todos quanto à disponibilização da informação.
Aqui fica o meu protesto, mais uma vez também! 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Em defesa da Língua Portuguesa

"Nos tribunais, pelo menos neste, os factos não são fatos, as actas não são uma forma do verbo atar, os cágados continuam a ser animais e não algo malcheiroso e a Língua Portuguesa permanece inalterada até ordem em contrário".

Juiz Rui Teixeira

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Ora aí está um novo programa de Matemática A!

Tomem lá um programa(ão), já feitinho pois não quero saber de consultas prévias.

A leitura que fiz foi em diagonal. É para entrar em vigor a partir de 2015/16 e a coisa cheira a muita Matemática pura e dura. Lógica, teoria de conjuntos, integrais, osciladores, majorantes e minorantes, indução, Rolle, Cauchy, Lagrange e Weierstrass, só para referir alguns. Tudo e mais alguma coisa com metas e mais metas a acompanhar. Pouco lá deve faltar. Os professores dos primeiros anos das faculdades pouco mais terão de dar.

Ao olhar para aquilo não consegui deixar de pensar que estava a reviver os meus três anos de ensino secundário na disciplina de Matemática. É tudo muito parecido com o que estava nos meus livros de então. Estou a falar dos anos 80. Sim, aqueles que tiveram também o melhor pop/rock e que foi quando entramos na CEE. Afinal até terá sentido voltar atrás cerca de 35 anos, pois em 2015 estaremos tão pobres como em 1980.

Mas não é bem igual. Ainda conseguiram fazer melhor.
Pensei que estavam a passar do 8 ao 80, mais uma vez.
Mas não, pois este novo programa já não vai ser para todos. Nessa altura o Ensino Público será residual e estará confinado apenas aqueles que seguirão "outras vias de ensino".
Este programa é para uma elite.

Mas não é tudo más notícias. Parece que já não vai ser preciso a calculadora gráfica para os exames!
A disciplina de Matemática A vai ser ainda mais "um bicho de sete cabeças" mas, pelo menos, já não se obriga os rapazes a gastarem dinheiro na calculadora.
Não sei é se a CASIO e a TEXAS vão gostar disto! 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Testes Intermédios 2013/14 - Calendário oficial

AQUI está ele!

Agora ficamos, pacientemente, a aguardar as informações específicas relativas a cada uma das provas.
Devem ir aparecendo a conta-gotas (como as más notícias do orçamento para 2014).

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Se as autárquicas tivessem sido legislativas

Suponhamos que:

  1. As eleições de domingo passado tinham sido legislativas.
  2. Os votantes e os abstencionistas tinham sido os mesmos.
  3. O sentido de voto dos eleitores se mantinha.
Como teria ficado a composição da Assembleia da República?

No que se segue, além dos pressupostos anteriores, considera-se que PSD e CDS concorrem em coligação. Assumem-se como votos desta coligação os votos obtidos por estes dois partidos individualmente, bem como, todos os votos das coligações em que, pelo menos, um deles participou.

Na Madeira, consideram-se como votos do PS os votos que este partido obteve quer individualmente quer em coligação.
O número de mandatos em disputa em cada círculo eleitoral refere-se ao das legislativas de 2011 (excluem-se os círculos Europa e Fora da Europa).

Distribuição de mandatos:
Círculo Eleitoral PS PSD/CDS PCP - PEV BE Gr Cidadãos Total
Viana do Castelo 3 3       6
Braga 8 9 1   1 19
Porto 15 15 2 1 6 39
Vila Real 2 3       5
Bragança 1 2       3
Aveiro 6 10       16
Viseu 4 5       9
Guarda 2 2       4
Coimbra 5 4       9
Castelo Branco 2 2       4
Leiria 4 5 1     10
Santarém 5 4 1     10
Portalegre 1 1       2
Lisboa 20 13 8 2 4 47
Setúbal 5 2 9 1   17
Évora 1   2     3
Beja 2   1     3
Faro 4 4 1     9
Açores 3 2       5
Madeira 2 3     1 6
Total 95 89 26 4 12 226

Composição da Assembleia da República:

O resultado da avaliação da troika

Pouco ficamos a saber pois Portas não é como Gaspar. Portas apenas nos diz aquilo "que precisamos de saber". E diz pouquinho de cada vez. A regra é que a informação deve ser passada na medida do estritamente necessário. E, já agora, que as más notícias fiquem para o Passos!
Fica AQUI uma síntese do Público com o que parece ser, na generalidade, a austeridade de 2014.

domingo, 29 de setembro de 2013

Uma 2ª-feira de regresso à realidade

Amanhã a realidade vai cair-nos em cima.
A nuvem que a escondeu durante os últimos tempos está a dissipar-se. O foguetório da campanha das autárquicas terminou. Voltará a troika (que esteve sempre cá) e as más notícias do deficit e da dívida.
É tempo de sabermos quanto dinheiro do pouco que já recebemos nos vão voltar a tirar. 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Alguém pode informar?

Diz o Decreto-Lei n.º 102/2013 de 25 de Julho, no seu Artigo 26º, que "O IAVE, I.P., sucede nas atribuições do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE)". Já sucedeu? O GAVE ainda existe?

Diz ainda o referido decreto, agora no seu artigo 25º, que "O IAVE, I.P., disponibiliza ao público na sua página eletrónica os estudos, pareceres e relatórios elaborados no âmbito da sua atividade". Alguém sabe qual é o endereço da referida página?

E já agora, este ano continuaremos a ter testes intermédios?

sábado, 21 de setembro de 2013

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sobre a nova prova de Inglês

O País educativo foi esta semana surpreendido com o despacho que implementa, já este ano, "os testes diagnóstico de Inglês, doravante designados por provas" (tal como aparece exarado no dito despacho).

Ao ouvir a notícia, o primeiro pensamento foi o de que o Ministro lá conseguiu mais um exame para os alunos fazerem. Afinal é mesmo disso que ele gosta, pôr a malta a fazer exames. Mas não é bem assim, isto é mais rebuscado do que à primeira vista parece. Ora vejamos:

Neste mundo actual e no contexto de uma globalização que todos os dias nos confronta, parece-me clara a importância da aprendizagem das línguas estrangeiras, em particular, do Inglês. As competências nesta língua tornaram-se extremamente importantes como factor de sucesso futuro dos cidadãos portugueses. Num país que vive muito do turismo e que agora convida os seus a emigrarem, a falta destas competências é determinante para um futuro profissional, social e económico mais sombrio.

A União Europeia tornou também clara a necessidade de certificar estas competências linguísticas. Por isso existe o Quadro Europeu Comum de Referência para as línguas. Julgo que a principal intenção do despacho é precisamente esta, a da certificação.

Atendendo aos dois parágrafos anteriores parece então compreender-se o que pretende o Ministro.
No entanto, quando penso no assunto com mais profundidade, surgem-me algumas questões.

A primeira é relativa ao timing do despacho. Mais uma vez, fazem-se as coisas em cima da hora. Decreta-se uma prova já para o próprio ano lectivo. Nada a que não estejamos já habituados, mas que continua a ser uma péssima prática.

Depois, dou comigo a pensar que os alunos têm Inglês desde o 5º até ao 11º anos de escolaridade (alguns até têm mais anos pois já iniciaram no 1º ciclo do ensino básico). No final do 12º Ano obtêm um certificado de estudos de nível secundário. Não servirá isto para nada ao nível da certificação das competências nas línguas?

Penso ainda na entidade designada para o processo. Obviamente que não se coloca em causa a Universidade de Cambridge, cuja competência é reconhecida mundialmente. O que se questiona é o porquê  e o como de ter sido ela a escolhida. Realizou-se algum concurso público para o efeito? As Universidades portuguesas que leccionam cursos de línguas foram convidadas para assumir este papel? Como tudo isto se processou?
Esta questão é de extrema importância pois trata-se de uma entidade externa ao Ministério a participar num processo de avaliação de alunos. Agora que o GAVE foi (ou vai ser) substituído na supervisão da avaliação externa dos alunos, será este um exemplo de como o processo de elaboração das provas de exame vai funcionar?

Finalmente, a constatação de uma realidade que tem estado subjacente à acção deste Ministro. Já sabíamos que o Ministério tem pouca consideração pelos professores dos ensinos básico e secundário (até porque são funcionários públicos!). Começa agora a ficar claro que o Ministério não tem confiança nenhuma em quem os formou. A frase "não se pode ensinar bem o que não se sabe bem", sendo uma verdade de La Palice, ilustra bem o pensamento do Ministro em relação ao que as universidades produzem.
Esta prova de Inglês é outro atestado de incompetência às universidades portuguesas, agora às de línguas, passado por este Ministro.

Pensões

Aqui encontra uma síntese sobre o novo regime das pensões dos funcionários públicos, o principal alvo a abater deste governo.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sugestões da Casa das Ciências

Sugestões de recursos educativos disponíveis na Casa das Ciências.

Número de alunos por turma em 2011

Fonte: Eurostat
OBS:
ISCED significa "International Standard Classification of Education". O nível 2 corresponde aos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico em Portugal, "The lower secondary level of education".

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Aos que saíram

Soube há pouco tempo que entre os 6000 que estão para sair (ou que já saíram) estão alguns colegas com quem trabalhei durante muitos anos. Sem os nomear, recordo-os hoje aqui. Sinto que uma parte de mim foi com eles e que, por isso, perco alguma da sua alegria, tão necessária nestes tempos difíceis para se ser professor.
Fica aqui a minha simples homenagem.
Bem hajam!

sábado, 27 de julho de 2013

Comentário aos critérios de classificação do Exame Nacional de Matemática A (635) - 2013 - 2ª Fase

Uma vez publicado o "Documento GAVE" desta prova, não posso deixar de comentar o que me parecem ser incoerências entre o que se apregoa nas formações de classificadores e aquilo que se faz, na prática, na elaboração dos itens das provas de exames e dos respectivos critérios específicos de classificação.
Refiro-me, especificamente a dois itens desta prova:

Item 6.
Dizem os documentos das ditas formações, entre muitas outras coisas, o seguinte:
"O item e os critérios de classificação devem estar articulados de forma a permitirem uma maior objetividade na classificação das respostas";
"A articulação entre cada item e o respetivo critério de classificação deverá ser tão elevada quanto possível";
"A sua (do critério) formulação deve ser tão exaustiva quanto possível, (...), correspondendo à formulação do item, às instruções e orientações que nele são fornecidas para a realização da tarefa solicitada".
Ora, o enunciado do item 6, solicita ao examinando duas coisas apenas. Que apresente o(s) gráfico(s) e que indique o valor da área do triângulo (nem sequer pede que a calcule) com um determinado arredondamento. Quando analisamos os critérios de avaliação do item, quer no 1º processo quer no 2º, descobrimos que, afinal, eram necessárias mais coisas na resposta.
Conclusão: não existiu articulação entre o item e os critérios.
Evidências: ou o item foi mal construído, ou os critérios foram mal elaborados ou ambas as situações se verificaram.
Remédio: a orientação que consta do "Documento GAVE" para a classificação deste item.
Louva-se a existência de remédio mas critica-se o sucedido.

Item 3.2.
Trata-se de um item de composição matemática com formulação habitual em provas de exame. Coloca-se uma determinada situação ou problema e apresenta-se também a respectiva resposta. O objectivo é que o examinando explique, numa composição, o porquê dessa resposta.
Também é habitual que o critério de classificação destas composições seja por níveis de desempenho. Tais níveis avaliam não só a dimensão específica da disciplina (neste caso a Matemática) mas também o domínio da Língua Portuguesa.
No que respeita especificamente à disciplina, enumera-se no critério de classificação um conjunto de pontos que o examinando deve contemplar na sua resposta. No caso do item 3.2. enumeram-se 5 pontos cuja explicação deveria constar da resposta.
Para não me alongar mais, abstenho-me de comentar a questão (importante) que se refere ao que se deve considerar como mínimo para satisfazer a explicação de cada um dos 5 pontos. Prefiro focar a atenção na análise dos pontos 2 e 5, ambos relativos a "explicar a razão pela qual o produto de ...". Tal análise revela uma trivialidade: a explicação é exactamente a mesma!
Aliás basta ler a situação apresentada no "Documento GAVE" para constatar esta evidência.
Conclusão: estamos em presença de redundância, isto é, de repetição. No mesmo item, pergunta-se a mesma coisa duas vezes.
Evidências: ou o item foi mal construído, ou os critérios foram mal elaborados ou ambas as situações se verificaram.
Remédio: acho que aqui não há!

Esclarecimentos aos critérios de classificação do Exame Nacional de Matemática A (635) - 2013 - 2ª Fase


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Esclarecimentos aos critérios de classificação do Exame Nacional de MACS (835) - 2013 - 2ª Fase

Prova de Avaliação de Conhecimentos, Capacidades e Competências

O Governo Sócrates inventou a "prova de avaliação de conhecimentos e competências" para quem pretender ingressar na carreira docente, isto é, ser professor. Sócrates legislou mas nunca aplicou.
O Governo Passos quer agora terminar o que Sócrates iniciou. Quer aplicar. Mas antes vai legislar, outra vez. E aproveita para acrescentar as "capacidades".

Diz a proposta da reformulação do Decreto que esta prova "visa verificar o domínio de conhecimentos, capacidades e competências fundamentais para o exercício da função docente".

Estranho a verificação de competências por parte de alguém que aboliu as ditas competências dos documentos que regulam o processo de aprendizagem dos alunos. Mas afinal verificam-se e avaliam-se ou não competências? Nos alunos não se verificam competências mas nos (candidatos) a professores sim? Terá a ver com a idade?

Estranho ainda que esta prova seja aplicada a quem é possuidor de uma licenciatura ou mestrado, em particular, nos casos em que esse grau académico tem a vertente de ensino ou ramo educacional, isto é, em que o estágio pedagógico já se realizou no âmbito da própria licenciatura ou mestrado. Estranho ainda mais a componente específica da prova. Vamos perguntar a um licenciado (ou mestrado) em Matemática se sabe Matemática.
O que esta prova quer dizer é uma coisa muito simples, mas muito grave: os Ministérios da Educação dos Governos de Sócrates e de Passos não ratificam os conhecimentos, as capacidades e as competências validadas pelas instituições de ensino superior.
É como dizer a um licenciado em medicina que para exercer num hospital público tem que provar que é médico. Não chega que a universidade que disse que ele era médico o afirme. Alguém (quem?) a cima dela terá de fazer essa verificação.
Trata-se de um verdadeiro atestado de incompetência às instituições de ensino superior, em especial, às que ministram cursos de formação de professores.

Se esta prova acontecer, isto é, se conseguir ir para além do papel (e estar no papel já é suficientemente grave) então proponho também que, em moldes semelhantes a esta, seja elaborada uma prova a aplicar a todos os candidatos a Deputados, Ministros, Secretários de Estado, Assessores, Adjuntos, Presidentes de Câmaras ou de Freguesias e demais cargos, exercícios ou lugares da Administração Pública.
O País só ficaria a ganhar com verificação dos conhecimentos, capacidades e competências fundamentais para o exercício do governo do País destes candidatos. Até agora nem sequer uma "simples" universidade o fez.
Talvez acrescentasse até mais algumas verificações a efectuar!

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Comentário à prova de exame nacional de Matemática A (635) - 2013 - 2ª Fase

A prova mantém as características da sua homóloga da 1ª Fase, quer em termos do grau de dificuldade, quer no seu tamanho face ao tempo disponível para a sua realização.

Refiro os seguintes aspectos, em particular:
  • A presença da redução ao 1º quadrante em dois itens (1.1. e 7.1.). Isto implica que a ausência do conhecimento deste processo da trigonometria compromete a resolução não de um mas de dois itens.
  • A trigonometria aparece num leque mais alargado de itens. Sabemos, pela experiência, que este tema não é da preferência da maioria dos alunos.
  • A colocação como último item da prova de um exercício de aplicação directa de conhecimentos. Não havendo lei que o proíba, considero-o, no entanto, desaconselhável.
  • A similitude do item da utilização da calculadora com o item homólogo da 1ª Fase.
  • A insistência em exercícios de levantamento de indeterminações e cálculo de limites, em particular, aqueles que envolvem substituição de variáveis. 
Perspectivam-se, novamente, fracos resultados!

Comentário à prova de exame nacional de MACS (835) - 2013 - 2ª Fase

No global, mais complicado, mais longo e mais trabalhoso que o da 1ª Fase.

No particular:

Item 1.3. - Parece-me desenquadrado do "espírito" desta disciplina este tipo de questões em que se testa o conhecimento específico de definições. Uma consulta ao programa (p. 22) permite verificar que o objectivo a atingir é "Apresentar a definição de acontecimentos independentes" e não utilizar ou aplicar, especificamente, tal definição. O programa diz até que o que se pretende é "formalizar a noção intuitiva de acontecimentos independentes". Sei que não concordam com os programas, mas o facto é que eles estão em vigor. Trata-se de uma forma artificial de aumentar o grau de dificuldade.

Item 2. - Discordo de que seja necessário cumprir explicitamente todas as etapas dos critérios específicos de correcção para se ter a cotação toda. Ao justificar que o grafo não admite circuitos de Euler não se está, implicitamente, a considerar que um percurso que cumpra, em simultâneo, as três condições enunciadas corresponde a um circuito de Euler?

Item 3.3. - Devia evitar-se colocar este tipo de perguntas que podem ter interpretações dúbias em função dos arredondamentos. A resposta é 2016 mas o facto é que quando a situação ocorre ainda não estamos nesse ano.

Item 4.1. - Não lembrava a ninguém mandar construir um diagrama de dispersão, ainda por cima com aqueles valores. Ainda estou para saber como se conseguem os 5 pontos da sub-etapa "Marcar correctamente os pontos" quando a prova é resolvida numa folha de linhas pautadas, em que não há a mínima referência para respeitar as unidades que se considerem. Fiquei surpreso também com a exigência dos critérios em se "Apresentar as listas introduzidas na calculadora". Não descortino tal necessidade do enunciado do item.

Item 4.2. - Não sou especialista na utilização da Língua Portuguesa (muito menos agora com esta história do acordo e com a invenção de uma nova gramática) mas o enunciado do item não me parece muito bem formulado. Isto não me soa bem: "No seguinte conjunto de números relativos aos habitantes servidos por cada um dos doze pontos de acesso nesse concelho, no ano de 2004, falta o número de habitantes, a, servidos por um ponto de acesso".

Item 5.2. - Diz o programa da disciplina (p. 21), "Não se justifica, nesta disciplina, o estudo de modelos para situações que obriguem a utilizar técnicas de contagem que envolvam cálculo combinatório". Dir-me-ão que, formalmente, não era necessário conhecer a técnica de contagem (combinações) para resolver o problema. Sim, é verdade. Dir-me-ão também que não era necessário conhecer o modelo binomial para resolver o problema. Sim, têm razão outra vez. Mas eu pergunto: havia necessidade de um problema destes numa prova de exame de MACS? Não será outra forma artificial de aumentar o grau de dificuldade.

Resolução do Exame Nacional de MACS (835) - 2013 - 2ª Fase

Encontra AQUI a resolução.

domingo, 14 de julho de 2013

Ranking das diferenças CIF - CE (EN 2013, 1ª Fase)


CIF - Classificação Interna Final (obtida pela média aritmética simples, com arredondamento às unidades, das classificações obtidas na frequência dos anos em que a disciplina foi ministrada).
CE - Classificação em exame final.

OBS:
Só alunos internos.
Classificações numa escala de 0 a 200.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Vale a pena escutar ...

A opinião de Pacheco Pereira sobre o que está a acontecer neste País:

Esclarecimentos aos critérios de classificação do Exame Nacional de Matemática A (635) - 2013 - 1ª Fase

Esclarecimentos aos critérios de classificação do Exame Nacional de MACS (835) - 2013 - 1ª Fase

Demissões no Governo

Parece que o circo desceu à cidade. Inimaginável!
Para estes políticos o País vem sempre depois.
Talvez hoje haja mais uma demissão. Ou não.
Já tudo é possível!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Demissão de Gaspar

Verifica-se, mais uma vez, a regra:
O prazo de validade de um Ministro das Finanças em Portugal é de, aproximadamente, 2 anos.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Comentário à prova de exame nacional de Matemática A (635) - 2013 - 1ª Fase

Começo por referir que considero que não se soube adequar a extensão/dificuldade da prova com o tempo disponível para a realizar. Na realidade, as 3 horas disponíveis parecem-me curtas para garantir a um aluno de desempenho médio o tempo necessário para resolver, em condições, todas as questões da prova. 
Esta dificuldade aconteceu já nos testes intermédios do 12º ano do presente ano lectivo. Vale a pena ponderar sobre este assunto pois foi ele que motivou, há alguns anos atrás, o aumento do tempo de realização das provas de exame. Se, também aqui, jogamos "ao gato e ao rato" - aumenta-se o tempo e, a seguir, a extensão das provas - então mais vale ficar tudo como estava antes.

O nível de dificuldade da prova está na linha da filosofia actual, mas não da do programa em vigor, e que já se vem manifestando desde as provas de exame do ano passado.
Os itens do Grupo I (escolha múltipla), na sua maioria, passaram a exigir significativo trabalho de cálculo ou de aplicação dos procedimentos, conceitos e regras estudadas. Assim, também eles "consumiram" uma parcela considerável do tempo disponível para a realização da prova. Uma nota particular para a tipologia do item 6, nada habitual em situação de exame, em que se transforma uma questão de escolha múltipla no apuramento da veracidade de 3 afirmações distintas. Para além de pouco espectável, parece-me até desenquadrado do que se infere da leitura da informação de exame desta prova.

No Grupo II surgem alguns itens com um nível de dificuldade superior. Refiro, em particular, as questões 2.2., 4.3 e 5. O problema da gestão do tempo disponível face às dificuldades que foram aparecendo na resolução destes itens pode ter complicado a clarividência para a resolução dos itens restantes que, não sendo fáceis, podem ter-se tornado mais difíceis de resolver do que na realidade o eram.

Importa referir aqui também, em abono da verdade, que muitas das questões da prova apresentavam similaridades com questões saídas quer em provas de exames anteriores quer nos dois testes intermédios realizados no presente ano lectivo. Considero até que esses dois testes intermédios se tornaram a melhor fonte de preparação para a prova de exame. Isto representa alguma coerência em termos do que foi a preparação recente para esta prova.

Concluo reforçando uma ideia que tenho transmitido sobre este assunto. A mudança, que era necessária, está a fazer-se muito rapidamente. Muitos vão ter dificuldade em apanhar esta carruagem que está a andar demasiado depressa.

Resolução da prova de exame nacional de Matemática A (635) - 2013 - 1ª Fase

Encontra AQUI a resolução.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Comentário à prova de exame nacional de MACS (835) - 2013 - 1ª Fase

Em termos de estrutura e tipologia das questões, a prova não foge ao que tem sido habitual nos últimos anos. No entanto, apresenta agora alguns itens em que se aumentou o nível de dificuldade. Considero que tal aumento era necessário e que aconteceu nesta prova de forma sensata. Não se aumentou a dificuldade abruptamente e/ou de forma generalizada. Tentou-se enquadrá-la num reduzido e  limitado conjunto de itens, de tipologia já conhecida, mas agora reformulada para receber essa dificuldade.

Apesar disto, adianto observações sobre algumas situações que julgo merecerem reparo.

  • Item 1.2. - A ideia do divisor modificado foi infeliz. Numa prova em que pouco se apela aos conceitos (a prova tem formulário, muitas das questões resolvem-se com a calculadora e habituaram-nos a longos enunciados que indicam ponto a ponto o que o examinando deve fazer) não se compreende muito bem a necessidade de introduzir um conceito pouco explicado os alunos. O divisor modificado não é explorado nas aulas como conceito em si mesmo, mas como algo que surge na prática de aplicação dos métodos de apoio à decisão. Já que  é habitual dizerem tudo nos enunciados, com mais umas linhas diziam também como encontrar tal divisor. Bastava dizer que era por tentativas!
  • Ainda relativamente ao mesmo item, gostava de perceber a nota dos critérios específicos de classificação ("Se o examinando apresentar o valor 21,4, ou o valor 21,5, para o divisor modificado, a pontuação a atribuir nesta etapa não deve ser desvalorizada"). Alguém me explica porque é que se põe a hipótese de ser desvalorizada?
  • Itens 3.1 e 3.2. (e podia acrescentar o 2.3.2.) - Há, claramente, redundância. Exige-se nos dois (três) itens o mesmo conhecimento ou capacidade, a probabilidade condicionada ou regra do produto. Tal significa que quem não tiver este conhecimento não resolve nenhuma das duas (três) questões. Inadmissível numa prova de exame!
  • Item 5. - O enunciado diz, claramente, o que deve constar da resposta. Em particular, o examinando deve "apresentar, justificando, uma solução". O problema aqui é o "justificando". A leitura dos critérios específicos de classificação leva-nos a concluir que tal justificação é a invocação da regra de Euler (que está no formulário). Acho, no entanto, que se o examinando, depois de eulerizar o grafo, indicar um circuito que seja solução do problema está, simultaneamente, a justificar a solução. E tal deve ser tomado em consideração.
Em nome do rigor, julgo, finalmente, que na questão 4.1 poderia ter sido indicada a forma de apresentação das frequências (em fracção irredutível, por exemplo) e no item 2.2 o enunciado deveria clarificar que os valores dos capitais apresentados da conta Y sofreram arredondados às centésimas.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Ódio aos professores e à função pública



Há gente assim, que ganha a vida a dizer mal dos outros. Gente que parece impregnada de um ódio que lhe corre nas veias e que constantemente transpira cá para fora. Gente que cospe no prato que alimenta a venda dos seus livros. Um daqueles brilhantes negócios da iniciativa privada que a escola (pública) sustenta.
Segundo esta mente superior, os professores tiveram "falta de respeito pelos alunos, falta de respeito pelas famílias, falta de respeito pelo sistema de ensino que lhes cumpre servir (...) e falta de brio profissional".
Estamos com sorte. Desta vez não se lembrou de nos chamar palhaços!
Estará em vigor alguma pena suspensa que o impediu de usar o adjectivo?